Serendipity

“As coisas não tem um tempo previamente estabelecido pra acontecer. Não temos controle de nada, tudo é relativo”. Por Raphaella Avena.
Há alguns anos, nunca imaginei que poderia dizer esta frase acima, sempre gostei de planejar tudo e colocar prazos, datas, limites pra conseguir os meus objetivos. Foi assim a vida toda: Até os 21 estaria formada (done), até os 23 pós graduada (done), até os 25 realizada (até que estava um pouco), e até os 28 estabilizada, bem sucedida e achando minha alma gêmea (e foi aí que mudei bruscamente de área de trabalho – de jornalismo pra moda – terminei um relacionamento que estava certo de dar em casamento, pensei mais concretamente em talvez morar fora e troquei todos os certos pelo duvidoso com alegria.

Eu digo que minha “crise dos 30” começou aos 28, que foi quando percebi que nem tudo que planejamos a vida toda necessariamente temos controle sobre, até porque nós mesmos mudamos de ideia, e que ótimo que isto acontece. Foi o que aconteceu comigo, mudei de ideia várias vezes até hoje, muita gente chama imaturidade, eu chamo maturidade, pois como já disse aqui num texto anterior, tão importante quanto sabermos o que queremos é sabermos o que não queremos.

Quando fiz 30 este conceito todo amadureceu ainda mais, a ansiedade pelos prazos dão lugar a uma certeza de que nem tudo tem prazo estabelecido, nem tudo é uma planilha de excel, as variáveis da vida são muito mais surpreendentes do que planejamos.
Dou o exemplo da minha profissão, Comunicação. Me formei em Comunicação aos 20 anos e mesmo hoje aos 30 trabalhando com Moda, digo que a minha profissão ainda é Comunicação pois uso a Moda pra me comunicar com o mundo e não pra seguir algo pré-estabelecido.
Então, a Comunicação é uma área ampla que te impossibilita planejar prazos e metas com a exatidão de uma Engenharia por exemplo. Na minha área você pode ser instável profissionalmente até os 30 pulando de freela em freela e de repente ter uma ideia mirabolante e ficar milionário, sim é super possível e existem vários exemplos de publicitários, vloggers, bloggers, produtores de conteúdo, redatores, cineastas e profissionais de comunicação que passaram por isto, portanto se preocupe menos com prazos e mais com qualidade de projetos.
Mais uma área que não sei porque muita gente teima em planejar é a amorosa, eu mesma como disse acima achei que aos 28 já teria encontrado minha alma gêmea pra casar e aos 30 estaria com filhinhos. Tenho algumas amigas que concretizaram isto e que hoje aos 30 estão divorciadas daquela sua alma gêmea, outras que namoraram 8 anos o cara e quando casaram durou menos de 10 meses. E conheço muitos casos felizes de quem conheceu-namorou-noivou-casou em 1 ano e estão juntos até hoje. Então cadê planejamento?

O amor é algo que não planejamos, ele acontece, muitas vezes acontece quando menos esperamos, quando viramos a curva pra fazermos o que sempre fazemos todos os dias e de repente nossa vida muda, sentimos um frio na barriga, perdemos o lado racional e porque?
Porque não é a razão que nos faz encontrarmos o amor, não é matemática de data e hora marcada, é Serendipity, palavra em inglês que pra mim define perfeitamente este momento. E o tempo do amor não é guiado por números, não obedece calendário, é guiado por sentimento, emoção e vontade de estar junto com esta pessoa que desperta o nosso melhor lado e nos faz a melhor versão de nós mesmos.

Pra felicidade não existe hora marcada, jogue seu calendário fora e não se cobre ter 30 e não ter o emprego dos sonhos ou o amor que sempre quis. De repente quando menos esperamos em uma curva do dia a dia, SERENDIPITY, e nossa vida inteira se realiza. 🙂

PS: Recomendo o filme de mesmo nome “Serendipity” maravilhoso.

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Um comentário sobre “Serendipity

  1. Nossa, acabei de ler esse seu post uma amiga enviou pra mim. Sabe acho que estou num momento mais ou menos assim, a diferença, sem emprego e acabei de desistir de “um amor da minha vida”, ainda estou chorando por isso e pior perdida pq não tenho a menor ideia de por onde começar? como começar? dá pra fazer isso? ele foi meu primeiro em tudo – primeiro namorado, primeira transa, primeiro amor, passei 7 anos e 5 meses pra ele finalmente resolver que não é isso que quer…..como faço??, pensei em recomeçar aqui, mas o coração doi mais, ai pensei em ir pra bem longe, mas como vou saber que vai melhorar?, a dor vai passar? Tem resposta pra isso? ou como dizem – só o tempo resolve! resolve mesmo? Sei que são perguntas impossiveis de responder, mas queria desabafar com alguém pela primeira vez antes de falar com aqueles que conheço.
    Obrigada, vou acompanhar seu blog acho que vc tem lições pra mim.

    bjos

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